composto orgânico

COMPOSTO ORGÂNICO 

1 – Introdução
Trata-se de uma prática milenar que visa uma fertilidade orgânica duradoura tendo sido praticada por diversos povos, permitindo a produção sustentada de diversos cultivos ao longo de séculos, como por exemplo o arroz irrigado do extremo oriente. Nela aproveita-se tudo que é resíduo orgânico na fazenda para produzir o húmus de composto. Se observarmos a natureza podemos identificar nas grandes florestas, pequenas matas em formação ou mesmo um jardim em equilíbrio, a integração dos reinos, e observar o exemplo vivo do processo de compostagem que acontece diariamente. Todos os elementos que a compõe  se integram a cada ciclo, e que imitamos quando fazemos o processo de compostagem.  É também um grande exemplo de equilíbrio entre os elementos básicos que provêem a vida no planeta Terra: água, terra, ar e fogo ; se em algum momento algum destes elementos não estiverem em equilíbrio,  o todo fica comprometido de forma desestruturadora. 
O composto faz parte dos ciclos da vida do planeta : alimento colhido é processado – usado na alimentação – os resíduos são separados – estes resíduos são reprocessados nas pilhas do composto – o processo de compostagem os transforma e os estabiliza – o composto pronto é usado como adubo orgânico na produção de alimentos e novamente o alimento é colhido. 

2 –  Porque  fazer compostagem?
Permite o melhor aproveitamento de restos orgânicos com relação C / N desbalanceada, que juntos aproximam-se de uma C/N desejada (de 25/1 ) 
Ø Desinfeta os materiais orgânicos de doenças, pragas e ervas daninhas. 
Ø Afugenta ratos e camundongos, cobras. 
Ø Permite acumular e multiplicar Matéria Orgânica para uma aplicação posterior  e estratégica. 
Ø Reduzem as perdas de nutrientes, disponíveis em resíduos subaproveitados. 

3 - Qualidades do composto 
Ø Fonte de lenta liberação de macro e micronutrientes como também de nutrientes orgânicos; 
Ø  Excelente estruturador do solo, favorecendo um rápido enraizamento, formando grumozidade;  
Ø Aumento da capacidade de infiltração de água, reduzindo a erosão;  
Ø  Grande ativador da vida do solo, responsável por todos itens de um solo fértil;  
Ø Permite o aumento do teor de Matéria Orgânica, aumentando também a capacidade de retenção de água no solo;  
Ø Aumenta a saúde e a resistência das plantas, que são enfraquecidas por adubos minerais. 

4 - Princípios da compostagem
A compostagem é uma seqüência de ações de microorganismos sobre a matéria orgânica, que a “digerem”. Este processo, desde o inicio até a maturação do composto,  acontece em fases que podemos observar:  
Ø Primeira fase (termófila e mesófila): atuam principalmente fungos, bactérias , actinomicetos, protozoários e miriápodes; nela se destaca o "cozimento" e a decomposição da celulose e hemicelulose; a lignina continua sendo decomposta e será modificada mais lentamente. 
Ø Segunda fase (transformação): atuam principalmente, protozoários e minhocas; termina a decomposição de celulose, continua a de lignina e principia a síntese de ácidos húmicos. 
Ø Terceira fase (amadurecimento): besouros, lacraias e formigas; a síntese e ressíntese de húmus é concluída e estabilizada. Para uma boa atuação, deve-se ter equilíbrio, de ar e umidade, suficiente calor e um PH propício. 

5 - Matéria Prima 
A principio todos os restos vegetais e animais podem ser aproveitados; deve-se evitar apenas dejetos humanos e de animais carnívoros. Todo material orgânico é fonte de energia e de nutrientes para os organismos decompositores, sendo necessário, portanto, sabermos avaliar cada qual nas suas características. 
1- materiais de rápida oxidação : rápido aumento da temperatura da pilha - amido. açúcar, vitaminas e aminoácidos (materiais mais úmidos, mais ricos em nitrogênio).  
2- materiais de lenta oxidação: hemicelulose, celulose, e principalmente lignina (materiais muito secos, ricos em carbono). 

6-A relação C/N
Além do carbono, o principal elemento que caracteriza a matéria prima é o nitrogênio; sua presença em certo grau é uma garantia de que os outros elementos importantes, como enxofre(S), fósforo (P), cálcio (Ca) e magnésio (Mg), potássio (K) e micro nutrientes (Fe, Zn, Cu, Mo, B, Mn e Cl), também estão presentes num grau proporcional. Por isso, ao invés de fazermos uma análise dos teores de todos esses elementos, só nos interessa, na prática, o teor de nitrogênio em relação ao teor de carbono (relação C / N ).  Materiais ricos em N terão C / N baixa; Materiais pobres em N terão C / N alta) 

a) C / N ideal/média (25 a 30:1 ) nesta proporção os organismos decompositores tem o alimento balanceado não tendo que se desfazer de nenhum elemento para criar um equilíbrio. 

b) C / N baixa (< 20:1) nesta proporção a decomposição equivale à podridão de um cadáver animal. O mau cheiro da podridão nada mais é do que a perda do excesso de N e S (cheiro amoniacal e sulfúreo).   Para reduzir perdas pode se adicionar folhas e galhos secos, palhas ou serragem. 

c) C / N muito alta (> 35:1 ) esta proporção constitui uma trava à franca atividade dos decompositores pela falta de N.  O processo será lento e frio enquanto o excesso de C for dissipado. Para acelerar o processo basta acrescentar uma fonte rica em N( Esterco, cascas de frutas, folhas verdes). 

7 - Estrutura do material 
Material muito lenhoso (galhos, ramos, etc. ) não devem passar de 10% em volume. Caso contrário resultará numa pilha hiper-arejada e por isso muito seca. No caso ideal deixar os galhos de molho ou ainda usa-los para compor a cama  de animais. Este material deve ser quebrado em pedaços com 5 a 12 cm de comprimento ( 1/2 palmo). 
Material muito fino (borra de açude ou plantas aquáticas) devem ser pré-secas para não empastar a pilha, que ficará muito úmida. 
8 - Umidade
Umidade ideal: 50 a 60%;  
teste prático: o composto deve soltar água como uma esponja que já foi espremida antes 
Umidade processual mínima : 40 a 45%;  
Umidade para conservação: 12 a 15% 

Obs.: Para manter a umidade ideal, deve-se cobrir a pilha com folhas ou qualquer tipo de palha, ou até plantar uma abóbora em volta dela. Na questão da umidade torna-se importantíssima a escolha de um bom local. 

9 - Local apropriado: 
Este deve ser protegido do vento, do sol e da chuva. Na sombra de uma árvore temos estas condições e ainda deixamos o resíduo da pilha para esta árvore. Por isso o pomar,  é um ótimo local para se fazer uma rotação com as pilhas. 
Num local coberto e com piso firme, temos as condições ideais que minimizam as perdas. Quando exposto a sol e chuva diretamente, o composto pode perder até metade de sua qualidade, devido à perda de nutrientes. Em regiões muito úmidas fazer a pilha ao nível do chão protegendo o local com um sulco escoador e escolhendo leve inclinação. Em regiões muito secas a pilha pode ser enterrada a um terço (50 a70 cm)

10 - Aeração 
Ela é antagônica à umidade e deve ser bem dosada. Garante o bom suprimento de todo os seres decompositores com oxigênio, eliminando ainda o gás carbônico produzido. A maior ou menor aeração se consegue através do tamanho da matéria prima. 
pedaços > 5cm = macroporosidade = aeróbia () 
pedaços < 5cm = microporosidade = anaeróbia ( condições de redução = silagem) 

Para obter a macroporosidade - suficiente circulação de ar deve-se: 
Ø iniciar a pilha sobre um colchão de galhos e palha; 
Ø pequeno composto doméstico pode ser feito em caixas: furar todas as paredes; 
Ø ao montar a pilha, é ideal misturar bem ou intercalar em camadas as partículas grossas e finas; 
Ø nunca pisar ou socar a pilha; 
Ø pode-se improvisar canais de aeração montando a pilha com bambu ou galhos de atravessado que são mexidos num certo intervalo de tempo; 

11 - Temperatura 
Ao longo do processo de compostagem, o corpo da pilha, ou melhor seu centro, passa pela seguintes etapas Caracterizadas pela variação da temperatura: 

FASE l: médias e altas temperaturas, decomposição de celulose de amido e açúcares. 

FASE  2:       altas Temperaturas, decrescendo, decomposição de celulose. 

FASE 3: temperaturas baixas, estabilização, ressíntese. 

Num dimensionamento errado da pilha do composto, a temperatura pode ficar aquém ou além do desejável: 
- largura da pilha < l m x altura < l m = pilha não se aquece e precisa de cobertura especial para acumular o calor. 
- largura da pilha > 2,5m x altura > 1,5m = pilha aquece muito e predominam Microorganismos termofílicos, resultando num produto inferior.  

12 - Prática da compostagem. 

Coleta do material 

Na coleta de material leve e seco deve-se maximizar o volume transportado, pois o peso pouco importa. Para tal, deve-se aumentar a capacidade de carga através de redes ou lonas. É sempre bom estocar matéria prima 

Montagem da pilha ( inspirada no método indiano Indore) 

A - Havendo pouco material a pilha  é erguida somente numa ponta, para que sempre possa se atingir a altura ideal. ( que é igual à largura) 

B - A mistura ideal contém restos de vegetais e esterco, adicionando-se algum pó de rocha (fosfato de rocha ou pó de basalto). 
C - Havendo material mais grosso e palhoso, este deve passar alguns dias no estábulo antes de ir para a pilha. 

D - Um pequeno bastão serve para se arejar a pilha entre as reviradas. Tal arejamento torna-se necessário quando há carência de material estrutural (galhos, palhadas grosseiras). 
E - Em menos de uma semana a temperatura (60 a 70º C) chega ao máximo o que "cozinha", por assim dizer, os materiais estruturais (fibras, celulose) fazendo a pilha desmontar e cair a 1/3 do tamanho inicial. 

É sempre interessante identificar as pilhas de composto com plaquetas que indiquem as pilhas que estão prontas e em processo e as plaquetas que indiquem as que estão sendo formadas, de forma que aquelas que já atingiram o tamanho ideal fiquem em processamento  sem mais incorporação de nenhum material, e o material do dia disponível seja usado para formar uma nova pilha. Podemos também identificar nestas plaquetas a provável época de maturação e estabilização do composto que estará  pronto para uso. 
No produto final ocorre um equilíbrio entre tudo que foi usado, resultando num  material sem moscas, levemente úmido e com cheiro de terra. A qualidade do composto depende da forma como ele é tratado, e se tivermos em mente que ele é um dinamizado natural, podemos ver formas de potencializá-lo. Podemos citar aqui, como exemplo, uma questão de aprofundamento sobre a atuação  do composto quando aplicado no solo:  podemos ampliar esta atuação para o tratamento dos males que acometem as plantas, principalmente os  citros e bananeiras. Sabe-se que as doenças causadas pelos fungos e bactérias – os parasitas ocorrem mais facilmente em monoculturas e solos pobres em matéria orgânica, onde se encontram difundidos pela terra e pelo ar. No entanto, é possível fazer com que as culturas criem uma resistência a eles. Pode-se dizer que numa compostagem bem feita, os restos de frutos doentes não chegariam a contaminar o meio e a propagar-se como a princípio poderia se pensar; ao contrário, se converteria numa “informação dinamizada” para os tratamentos dos (males), desequilíbrios. 

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